Cuidados e Atenções em tempos de reclusão!

Nunca antes alguém viveu algo parecido… se torna muito mais forte quando pensamos que está acontecendo no mundo inteiro, e no Brasil, ainda, apenas começando…Semelhante quanto ao terror, só mesmo, em tempos de guerra, ou há um século, na gripe espanhola.

A necessidade de confinamento, seja vinda de orientação externa, como também por auto-precaução é tão inusitada que ainda existem muitas pessoas que resistem, desconfiam, desobedecem e seguem tocando a vida, quase, como se tudo estivesse normal!

Não estou falando daquelas inúmeras pessoas que estão indo trabalhar, profissionais que precisam encarar a circunstância cara a cara. Muitos casos…pois, a vida continua…. E nem dos profissionais ligados à saúde, heróis anônimos, a quem jamais poderemos retribuir a dedicação neste momento. 

Prefiro falar dos que estão em casa, e como nos relacionarmos com essa condição, quase surreal.

Já foram postadas diversas matérias a esse respeito e vou procurar não chover neste já tão molhado chão, após pelo menos, duas semanas de isolamento.

O que me surpreende é a quantidade de “conselhos” ou dicas do que fazer em casa. Fico me perguntando e ainda aos trabalhadores homeoffice, será q sobra tempo para preencher com essas dicas? principalmente, se existirem crianças na casa, o tempo fica mais “justo”: trabalhar, cuidar e fazer/inventar atividades com os filhos, cozinhar, manter um mínimo de ordem na casa… ufa, só uma cama no fim do dia! 

Será q só pra mim o dia passa feito um trem bala??

O que provavelmente vai acontecer é a adaptação a uma nova rotina.VOCÊ para estabelecer as prioridades, e se tiver um parceiro em casa, juntos, poderão criar o novo cotidiano. Taí uma novidade total! porque, afinal, não se trata de férias! Dependendo da idade das crianças, é inversamente proporcional ao trabalho envolvido: a interação exige uma abertura grande. Recebi, por exemplo, um vídeo da minha filha, uma executiva homeoffice, fazendo aula de balé, sob “orientação” da minha neta de 3 anos! Quero dizer, haja paciência e flexibilidade

Até estabelecermos disciplinas de horários e práticas produtivas vai demorar um pouquinho. Caso contrário, vai aparecer um “general” na casa ou o caos.

Como disse acima, não vou me estender em citar livros, filmes, e atividades com crianças…há uma quantidade enorme de indicações. É só querer e dá para encontrar um monte.

Lembrete de cuidados 

O que quero reforçar, além da necessidade urgente do isolamento, é a qualidade que devemos buscar em toda e qualquer atividade. A ansiedade, o medo e as dificuldades diante da nova situação geram um estado de “clima de férias” ou um “vale de qualquer jeito” ( o que dá na mesma) como em situações temporárias. Só que não sabemos quanto tempo vai durar o confinamento. Então, o melhor é irmos organizando, ainda que por partes, calmamente, as diferentes atividades da nossa unidade familiar – para não ser cruel e dizer da ‘nossa cela domiciliar’.

Quando digo calmamente, minha sugestão é envolver adultos e crianças, com mais de 7 ou 8 anos de idade, por exemplo, e refletirem juntos a respeito de:

  • Qual o horário destinado ao trabalhoQual vai ser o horário destinado a estar com as crianças? e atividades “todos juntos agora”?
  • Quando vou/vamos preparar as refeições? para quais horários elas precisam estar prontas?
  • Como será feita a distribuição de tarefas?
  • Quais horários/dias serão dedicados a exercícios físicos/respiratórios? eis uma atividade que é séria e pode ser bem divertida também, seja individual ou em conjunto. Vale a criatividade, colocando música, variando quem coordena, etc
  • Qual horário destinado para cada pessoa exercer “ agora, eu comigo mesmo”. Se você está sem ninguém em casa, assim mesmo, é bom definir um horário para fazer o que gosta.

Tenho lido muitos relatos de pais comentando que nunca ficaram tanto tempo com seus filhos…é surpreendente essa constatação! E crianças, felizes, por terem seus pais em casa.

É bem a hora de se perguntar sobre o que você quer fazer e/ou conversar com seus filhos, e não (insisto de novo) só para passar o tempo…que tal aprofundar um pouco mais a relação? deixar a criança se expressar, escutar mais e falar menos.  Pode ser a época propícia para falar, por exemplo, de auto-estima, religião, sexualidade, bullying, emoções boas e nocivas, etc etc…todos aqueles assuntos cabeludos, sempre postergados e tratados na correria do dia a dia…agora, pode ser a hora de dedicar mais tempo a temas tão importantes. Claro que cada idade vai merecer uma atenção distinta, e nada de tom de quem está discursando sobre…apenas uma  conversa… Experimente! um pouquinho cada dia … 

Se for o caso de você não ter crianças/jovens em casa ( ou mesmo que tenha) que tal fazer uma ligação telefônica – como em anos anteriores ao zap se fazia, ou mesmo pelo aplicativo – para aquela pessoa que faz tanto tempo que você nem conversa, nem vê? vale amiga, ou amigo, que também mora sozinha (ou não) e que com certeza vai ficar feliz de ser lembrada. Você pode estabelecer tempo e até o tema – sem ser indelicada ou arrogante – e assim não incorrer em só ouvir queixas e lamúrias. A você cabe dar o tom, neste momento é uma questão de sanidade e de apoio emocional.

Outras atenções

Você já percebeu, pois está sendo motivo de comentários nas várias mídias, como surgiram iniciativas antes nunca vistas? nas redes sociais médicos se oferecendo para emitir receitas, vizinho se solidarizando para compras ou idas à farmácias para idosos…semana passada, por exemplo, eu com vontade de comer pastel, interfonei para o porteiro que se visse alguém indo à feira pedisse um pra mim. 20 minutos depois a campainha tocou com uma linda garota me entregando o saquinho. Delivery perfeito! Tão simples…tão carinhoso! fiz as devidas “limpezas” e me deliciei.

E as iniciativas de coleta de alimentos, máscaras, álcool gel, vaquinhas? são muitas, como também, algumas grandes empresas fornecendo materiais agora vitais para a saúde da população.

Esse período de quarentena está promovendo uma desaceleração e uma readaptação a uma nova dinâmica de convivência. E são muitos agentes da esfera privada e também da pública, se sensibilizando e encontrando formas de colaborar. 

Após este período de reclusão, quem sabe nós humanos, poderemos, realmente, nos vangloriar de fazer parte do reino humano, como o único capaz de viver e sonhar além das nossas individualidades?

Um tempo agora de pôr, literalmente, nossa casa e nossas mentes, voltadas mais para nosso interior, para distinguir, reconhecer e deixar aflorar nossos mais elevados sonhos!

 

Capa: Agência de Comunicação Eniac Premium

Por: Miriam Barcellos

Publicado em: 27 de março de 2020

Categorias: Educação, Educação Infantil, Ensino Médio, Ensino médio tecnico, Faculdade, Saúde
Tags: .