“Uma segunda língua é como ter uma segunda alma”

A linguagem é o sistema através do qual o ser humano difunde suas ideias e expressa suas emoções por meio da fala, da escrita, dos gestos, além de outros signos. Estima-se hoje que haja 6912 idiomas ao redor do mundo, cada um com suas próprias peculiaridades: sintaxe, morfologia, pronúncia, entre outros…

Linguagens são organismos vivos, mutáveis ao longo do tempo. Na época da Roma Antiga, por exemplo, a língua oficial do território era o latim, nos tempos atuais uma língua morta. Porém, com a invasão dos povos bárbaros, houve um “casamento” entre idiomas, sendo provenientes desse matrimônio o português, o espanhol, o francês, entre outras línguas românicas que hoje o substituem na conversação.

Carlos Magno certa vez disse que ter “uma segunda língua é como ter uma segunda alma” e que essas moldam nossa realidade e a maneira com que pensamos. Uma comunidade indígena australiana chamada Kuuk Thaayorre, por exemplo, não possui palavras específicas para se referir à direita ou esquerda. Para localizarem-se no espaço utilizam os pontos cardeais: leste, oeste, norte e sul. Eles jamais diriam que há um inseto em sua perna esquerda, mas sim que há um em sua perna sudoeste.

A maneira como lemos também é afetada pela língua que falamos. Se eu pedisse que você organizasse as fotos de uma pessoa na ordem cronológica, você provavelmente as colocaria da esquerda (jovem) para a direita (velho), mas um hebreu ou árabe faria o oposto. Ademais, existem línguas que ainda não possuem o conceito de números, tornando tarefas simples como acompanhar o tempo, impossíveis para seus falantes.

Até mesmo nossa concepção de cores pode ser alterada: em inglês, há apenas uma maneira para nos referirmos ao azul com apenas algumas nuances de escuro ou claro; já, no idioma dos russos, há inúmeras, o que os tornam mais suscetíveis a notarem diferenças sutis de tons, visto que possuem palavras para cada um deles. Algumas línguas possuem o sistema de gêneros atribuídos aos substantivos como a nossa e isso pode até mesmo alterar a forma com que vemos certos objetos: em espanhol, por exemplo, o sol é masculino e a lua feminina, ao passo que em alemão ocorre o contrário, portanto é muito mais provável que ao personificar a figura do Sol os alemães o vejam como uma mulher!

Como já visto, as línguas não são paralelas umas às outras, apesar de serem provenientes da mesma raiz, possuindo estruturas e palavras próprias e intraduzíveis. Em inglês, você poderia dizer, por exemplo, “I broke my arm” para dizer que sofreu um acidente, porém em alguns idiomas, traduzindo a frase diretamente, soaria como se você o tivesse feito de propósito e é um lunático.

Tendo em vista, todos esses pontos, é notável a importância da aprendizagem de uma língua, além do inglês, visto que esse já é ponto primordial e não mais um diferencial no mercado de trabalho. Surge, então, a necessidade de serem introduzidos projetos que incentivem crianças a aprenderem outra língua, visto que seus cérebros são mais flexíveis às mudanças.

Alguns benefícios de se aprender uma língua estrangeira:

  • Aumenta a massa cinzenta do cérebro onde localizam-se os neurônios e ocorrem as sinapses.
  • Atrasa doenças como Alzheimer e demência.
  • Fortalece o córtex pré-frontal, responsável pela solução de problemas, troca entre tarefas com facilidade e foco.
  • É porta de entrada para se conhecer outras culturas e costumes.

Aprender outra língua é ver o mundo com outra lente, com olhos que não são os seus, uma experiência certamente capaz de mudar toda sua vida.

 

Texto: Rafael Santana Hildebrando – 1ºA

Fonte: https://www.ted.com/talks/lera_boroditsky_how_language_shapes_the_way_we_think/transcript

https://www.ted.com/talks/john_mcwhorter_4_reasons_to_learn_a_new_language/up-next

Por: Gustavo Kamihara

Publicado em: 18 de novembro de 2018

Categorias: Colégio, Educação
Tags: .